Esqueçamos esses momentos felizes, que este Blog está a ficar demasiado lamechas e, quando mais à frente disser que estou a pensar em inscrever-me no Bloco de Esquerda ninguém vai acreditar, portanto, voltando aos factos, concentremo-nos no concerto, concentremo-nos nos “Ventos da Mudança”, concentremo-nos no país real.
Este concerto da banda que canta o “Wind of change” é, ou poderá ser, o momento de viragem política e social do país. Dirão vocês:”- Este gajo está-se a passar!”, pois estou, mas como diz a outra “Isso agora não interessa para nada”. O que interessa é que o país precisa de escutar os ventos da mudança, o país precisa de escutar a voz do povo, a voz daqueles que passam dias a percorrer as cidades de lés-a-lés à procura do ganha pão, à procura de sustento, o país precisa de ouvir a vós daquele que o construíram com sangue, suor e muitas vezes lágrimas. O país precisa de deixar de se centrar no pequeno ecrã, precisa de ler, precisa de ser critico, auto-critico, hetero-critico, o país precisa de cultura que não seja só o fado, de desporto que não seja só o futebol, e de uma Fátima que até pode ser a Lopes, mas sem a religião a comandar o poder político (amanhã tenho a Opus Dei à porta do prédio!!!!…esta parte foi mais para o Francisco não rejeitar a minha ficha de filiação!).
Mas que país é que temos? Temos um país em que o Presidente da República faz um discurso brilhante sobre o Ensino e sobre a Educação, que pede que se valorizem os Professores, que se envolvam os pais na Escola, que se envolva a comunidade … é aqui que apetece dizer… óh Senhor Presidente… Onde é que tem andado? Valorizar os Professores? A maior classe de trabalhadores precários do nosso país? Que trabalham para aquela empresa famosa de trabalho temporário, como é que se chama? Ah, Ministério da Educação!!! Envolver os pais na Escola, na educação escolar dos filhos? Mas para isso é necessário abrir as portas das escolas aos pais e à comunidade, ou será que isso incomoda muito? É mais seguro proibir os pais de entrar nas escolas, como acontece hoje em dia. Mas é mais seguro para quem?
Valorizar a escola porque é a escola que valoriza a comunidade. O Sr. Presidente sabia que o governo este ano fechou inúmeras escolas do primeiro ciclo? O Sr. Presidente sabia que na maioria das Aldeias das escolas que fecharam, o Professor era a única pessoa que levava diariamente as novidades do mundo? Que já nem o Padre visita diariamente as Aldeias? Se sabia, acho bem que puxe as orelhas ao Governo. Se sabia, acho bem que tente mudar esta situação. Se sabia, acho muito bem que queira não só uma comunidade mais interventiva na escola, mas também uma escola mais interventiva na comunidade. Se sabia Sr. Presidente, acho bem que tenha sido a escola o centro do seu discurso do 5 de Outubro.
Em tempos fui Professor, este ano ainda caí na tentação de voltar, de abraçar um projecto que me dê mais luta do que o projecto onde estou envolvido agora. Em tempos dizia na brincadeira aos meus colegas que tinha conseguido sair a tempo, mas agora, depois de ouvir atentamente o seu discurso enquanto enfrentava a dura fila do IP2 a caminho de Castelo Branco depois de um camião se ter virado, mudei de ideias, e espero voltar à escola a tempo de abraçar o seu projecto. Espero voltar a uma escola aberta para a comunidade, para uma escola que ajude os alunos a desenvolver competências, atitudes, valores. Uma escola que os ajude a criar os seus projectos, os projectos da família, os projectos da comunidade, uma escola aberta, uma escola inclusiva. Mas isso será quando? Saí da escola porque cheguei à triste conclusão que não a conseguia mudar! E como não consegui mudar a Escola, não deixei que ela me mudasse a mim. Poderão dizer que desisti, mas não desisti, aliás, eu nunca desisto, ainda aqui estou, apenas encontrei um outro ponto de vista sobre a escola, o ponto de vista que por vezes tanto custa aos professores, a vista do exterior.
Mas voltando à abertura da comunidade à escola. Tradicionalmente sempre se criou uma barreira bastante visível não só entre a comunidade e a escola, como também entre a escola e a comunidade. É fácil de perceber, basta olharmos com atenção para a estrutura dos edifícios escolares, nomeadamente os construídos pelo Plano dos Centenários, janelas altas e escolas no fim da povoação não abonam a favor da integração. Mas o que devemos mudar? Será que chega mudar só por si o modelo arquitectónico dos edifícios escolares? Por exemplo, com Escolas desenhadas pelo Siza Vieira. Será que chega mudar de atitude? Ou será que basta um discurso do Presidente da República nas comemorações do 5 de Outubro a abrir as portas da escola e da comunidade? Ou será que nada chega? O melhor é ouvirmos “os ventos da mudança”, e os ventos da mudança dizem-nos que a escola sempre demorou a adaptar-se à sociedade. Quando surgiu o rádio, pensou-se que este iria resolver todos os problemas da educação, depois veio a televisão, e até se criou uma Telescola, que não resultou, agora chegou o computador, qual D. Sebastião, desta é que vai ser! Vamos criar salas de informática, vamos colocar um computador com acesso à Banda Larga em todas as salas de aulas, sim, porque a União Europeia está a dar dinheiro para isso, e vamos ainda colocar um quadro daqueles todos xpto, como os que aparecem nos “Morangos com Açúcar”! Pois é! E o resto? E os conteúdos programáticos? Vamos mantê-los? Ou vamos adaptá-los à nova sociedade? E a dimensão local do currículo? É para aplicar ou não? E os alunos? E a estabilidade da classe docente? E a Gestão Autónoma da Escola? E mais importante que isso, alguém sabe onde se compram os bilhetes para os Scorpions?