O novo programa da SIC, Gatos Fedorentos "Esmiúça os Sufrágios", é sem dúvida um dos melhores programa sobre política de sempre no nosso país.
A Duplicação do Cubo esmiúça o esmiuçar dos sufrágios!
José Sócrates esteve a 200%, ganhou alguns votos (o meu ainda não!) e soube dar a volta por cima às perguntas incomodativas do Ricardo Araújo Pereira, mas mesmo assim conseguimos esmiuçar algumas coisas, esmiucemos então a entrevista de José Sócrates!
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José Sócrates - Deixe-me dizer-lhe que você está elegantíssimo pá, você é que parece o primeiro ministro. Você deve ser "pra í" o sexto apresentador mais elegante do Mundo"
Eh lá!!!! Não andavam "pra í" uns boatos sobre um determinado actor?
José Sócrates - O meu melhor amigo é o primeiro-ministro espanhol. Zapatero!
Então não ouviste a Manuela a dizer no debate que não gosta de misturas entre Portugueses e Espanhóis? Se ela ganha ainda vias para o Tarrafal!
José Sócrates - O Berlusconi está convencido que está na origem da minha primeira eleição.
Oh senhor Engenheiro, mas já foi eleito mais que uma vez?
RAP - A Clara de Sousa hoje estacionou no meu Lugar, pode acabar com o Telejornal dela?
José Sócrates - Em matéria de estacionamento eu acho isso é mais competência autárquica, não é tanto competência do Governo.
A SIC é em Carnaxide, Concelho de Oeiras... será que está a sugerir que o Isaltino qualquer dia trata do assunto???
Por hoje é só, amanhã esmiuçaremos a entrevista com Manuela Ferreira Leite.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Estórias... sim Estórias...
Estória é um neologismo proposto por João Ribeiro (membro da Academia Brasileira de Letras) em 1919, para designar, no campo do folclore, a narrativa popular, o conto tradicional.
Alguns consideram o termo arcaico, por ser encontrado também em textos antigos, quando a grafia da palavra na língua portuguesa ainda não fora consolidada.
O termo acabou por não ter uma aceitação generalizada, não figurando nos dicionários portugueses e apenas em alguns brasileiros. Apesar de ter sido usada na linguagem coloquial, o termo nunca figurou na norma culta.
Recupero aqui o termo, Estórias e não Histórias, Estórias de uma vida que nada tem de narrativa popular, de folclore ou de conto tradicional.
A Estória da vida pouco tem a ver com a Cinderela, com a Bela Adormecida ou com o Capuchinho Vermelho, porque nessas histórias, o bem vence sempre sobre o mal, mas será que nas Estórias da Vida o bem prevalece sobre o mal? Será?
Olhamos para o Mundo à nossa volta e perguntamo-nos onde está a Justiça, onde está a vitória do bem, onde estão os heróicos e bravos cidadãos que fazem a justiça, que tarda, que tem tudo menos de justa, onde está a justiça da vida?
Sempre ouvi dizer que Deus não dorme, um termo muito apropriado quando se quer falar da aplicação da justiça, que ela um dia surgirá, mas surgirá de que forma, pergunto se é feita justiça nos tribunais, nas escolas, nos locais de trabalho, na sociedade em sim, pergunto se há justiça no Médio Oriente ou em África? Pergunto se Deus está a dormir… Sem querer dar um carácter religioso ao post, e sem querer afrontar a Igreja, não por medo da mão pesada da inquisição, mas por respeitar tudo o que advém da crença religiosa.
O que é certo, é que este nosso mundinho está cheio de injustiças, estás cheio de chicos espertos e de ditadores que fazem justiça ao belo prazer, conforme mais lhes convém.
Vale a pena acreditar? Não posso dizer que não, porque o Povo sempre acreditou, e o Povo sempre retirou e deu o Poder quando achou necessário, e quando o Povo não o conseguiu, porque se sentiu oprimido, se sentiu vigiado, se sentiu ostracizado, os militares fizeram-no. Sei que não é 25 de Abril, e que o tema são Estórias…
E que Estórias é que há para contar? Poucas, nenhumas, inúmeras? São tantas que certamente vos cansaria a ler… “Um dia escrevo um Livro”… árvores já plantei… filhos também já fiz…
Não vou contar nenhuma Estória, não me apetece, tinha essa intenção quando iniciei o post, mas perdi a vontade, deixo-vos com uma Story… bem linda por sinal, e se a ouvirem, vale bem mais a pena do que ler qualquer Estória que eu possa escrever…
Alguns consideram o termo arcaico, por ser encontrado também em textos antigos, quando a grafia da palavra na língua portuguesa ainda não fora consolidada.
O termo acabou por não ter uma aceitação generalizada, não figurando nos dicionários portugueses e apenas em alguns brasileiros. Apesar de ter sido usada na linguagem coloquial, o termo nunca figurou na norma culta.
Recupero aqui o termo, Estórias e não Histórias, Estórias de uma vida que nada tem de narrativa popular, de folclore ou de conto tradicional.
A Estória da vida pouco tem a ver com a Cinderela, com a Bela Adormecida ou com o Capuchinho Vermelho, porque nessas histórias, o bem vence sempre sobre o mal, mas será que nas Estórias da Vida o bem prevalece sobre o mal? Será?
Olhamos para o Mundo à nossa volta e perguntamo-nos onde está a Justiça, onde está a vitória do bem, onde estão os heróicos e bravos cidadãos que fazem a justiça, que tarda, que tem tudo menos de justa, onde está a justiça da vida?
Sempre ouvi dizer que Deus não dorme, um termo muito apropriado quando se quer falar da aplicação da justiça, que ela um dia surgirá, mas surgirá de que forma, pergunto se é feita justiça nos tribunais, nas escolas, nos locais de trabalho, na sociedade em sim, pergunto se há justiça no Médio Oriente ou em África? Pergunto se Deus está a dormir… Sem querer dar um carácter religioso ao post, e sem querer afrontar a Igreja, não por medo da mão pesada da inquisição, mas por respeitar tudo o que advém da crença religiosa.
O que é certo, é que este nosso mundinho está cheio de injustiças, estás cheio de chicos espertos e de ditadores que fazem justiça ao belo prazer, conforme mais lhes convém.
Vale a pena acreditar? Não posso dizer que não, porque o Povo sempre acreditou, e o Povo sempre retirou e deu o Poder quando achou necessário, e quando o Povo não o conseguiu, porque se sentiu oprimido, se sentiu vigiado, se sentiu ostracizado, os militares fizeram-no. Sei que não é 25 de Abril, e que o tema são Estórias…
E que Estórias é que há para contar? Poucas, nenhumas, inúmeras? São tantas que certamente vos cansaria a ler… “Um dia escrevo um Livro”… árvores já plantei… filhos também já fiz…
Não vou contar nenhuma Estória, não me apetece, tinha essa intenção quando iniciei o post, mas perdi a vontade, deixo-vos com uma Story… bem linda por sinal, e se a ouvirem, vale bem mais a pena do que ler qualquer Estória que eu possa escrever…
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Viva La Vida
Por vezes ouvimos uma música, fica no ouvido e temos a certeza que vai ser uma das músicas do ano.
A Banda do Chris Martin, Will Champion, Guy Berryman, Jonny Buckland não é novidade para mim, e até já tive o prazer de estar com eles "ao vivo", a "cores" e quase com o copos (mais isso é o que menos interessa), mesmo assim não param de me surpreender! Viva La Vida será concerteza uma das músicas que marcará o final do ano e que mais vezes passará nas rádios de todo o mundo, a música que volta a colocar os Cold Play nas bocas do mundo!
Lindo de ser ver e se se ouvir... e a mensagem implicita??? Quem quiser que a compreenda!
I used to rule the world
Seas would rise when I gave the word
Now in the morning I sleep alone
Sweep the streets I used to own
I used to roll the dice
Feel the fear in my enemy's eyes
Listen as the crowd would sing
"Now the old king is dead! Long live the king!"
One minute I held the key
Next the walls were closed on me
And I discovered that my castles stand
Upon pillars of salt and pillars of sand
I hear Jerusalem bells a-ringing
Roman Cavalry choirs are singing
Be my mirror my sword and shield
Missionaries in a foreign field
For some reason I can't explain
Once you'd gone there was never
Never an honest word
That was when I ruled the world
It was the wicked and wild wind
Blew down the doors to let me in.
Shattered windows and the sound of drums
People could not believe what I'd become
Revolutionaries Wait
For my head on a silver plate
Just a puppet on a lonely string
Oh who would ever want to be king?
I hear Jerusalem bells a-ringing
Roman Cavalry choirs are singing
Be my mirror my sword and shield
My missionaries in a foreign field
For some reason I can't explain
I know St. Peter won't call my name
Never an honest word
And that was when I ruled the world
(Ohhhhh Ohhh Ohhh)
Hear Jerusalem bells a-ringings
Roman Cavalry choirs are singing
Be my mirror my sword and shield
My missionaries in a foreign field
For some reason I can't explain
I know St. Peter won't call my name
Never an honest word
But that was when I ruled the world
A Banda do Chris Martin, Will Champion, Guy Berryman, Jonny Buckland não é novidade para mim, e até já tive o prazer de estar com eles "ao vivo", a "cores" e quase com o copos (mais isso é o que menos interessa), mesmo assim não param de me surpreender! Viva La Vida será concerteza uma das músicas que marcará o final do ano e que mais vezes passará nas rádios de todo o mundo, a música que volta a colocar os Cold Play nas bocas do mundo!
Lindo de ser ver e se se ouvir... e a mensagem implicita??? Quem quiser que a compreenda!
I used to rule the world
Seas would rise when I gave the word
Now in the morning I sleep alone
Sweep the streets I used to own
I used to roll the dice
Feel the fear in my enemy's eyes
Listen as the crowd would sing
"Now the old king is dead! Long live the king!"
One minute I held the key
Next the walls were closed on me
And I discovered that my castles stand
Upon pillars of salt and pillars of sand
I hear Jerusalem bells a-ringing
Roman Cavalry choirs are singing
Be my mirror my sword and shield
Missionaries in a foreign field
For some reason I can't explain
Once you'd gone there was never
Never an honest word
That was when I ruled the world
It was the wicked and wild wind
Blew down the doors to let me in.
Shattered windows and the sound of drums
People could not believe what I'd become
Revolutionaries Wait
For my head on a silver plate
Just a puppet on a lonely string
Oh who would ever want to be king?
I hear Jerusalem bells a-ringing
Roman Cavalry choirs are singing
Be my mirror my sword and shield
My missionaries in a foreign field
For some reason I can't explain
I know St. Peter won't call my name
Never an honest word
And that was when I ruled the world
(Ohhhhh Ohhh Ohhh)
Hear Jerusalem bells a-ringings
Roman Cavalry choirs are singing
Be my mirror my sword and shield
My missionaries in a foreign field
For some reason I can't explain
I know St. Peter won't call my name
Never an honest word
But that was when I ruled the world
Eu…
Eu gostava de ser como o vento, gostava de percorrer quilómetros e quilómetros de praias a revolver as areias adormecidas, gostava de dançar com as imponentes árvores da floresta, gostava de empurrar as nuvens, de abraçar as portadas das janelas e entrar pelas casas fora, de refrescar almas… gostava de ser a brisa de uma manhã de primavera, suave, carinhosa, delicada… gostava de ser a manhã, enérgica, movimentada, viva… eu gostava de ser o mar, de enrolar o meu corpo na areia, de bater contra as rochas nas noites de revolta, e na manhã seguinte voltar a acalmar, e voltar a enrolar-me na areia da praia… eu gostava de ser a chuva que cai nos telhados numa tarde de inverno fazendo ecoar uma suave melodia, uma melodia que ouvimos com gosto, que desejamos que se repita vezes sem conta e que nos faz pensar … mas não sou… afinal o que é que eu sou mesmo?
Sinceramente… não sei! Tenho dificuldades em compreender o significado da vida, tenho dificuldade em compreender a razão da nossa existência, a razão da minha existência! Será que há uma razão? Tem que existir, só pode existir! Mas qual será ela?
Eu só sei que sou mais um ser humano, com cabeça, troco e membros… e com sentimentos… sentimentos que não posso nem consigo controlar! Sentimentos que movem a nossa vida sem qualquer controlo aparente… e o saldo? O saldo é como o futuro… só a Deus pertence…
Sinceramente… não sei! Tenho dificuldades em compreender o significado da vida, tenho dificuldade em compreender a razão da nossa existência, a razão da minha existência! Será que há uma razão? Tem que existir, só pode existir! Mas qual será ela?
Eu só sei que sou mais um ser humano, com cabeça, troco e membros… e com sentimentos… sentimentos que não posso nem consigo controlar! Sentimentos que movem a nossa vida sem qualquer controlo aparente… e o saldo? O saldo é como o futuro… só a Deus pertence…
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Promessas…
Poderia começar este post com a letra da música do Rui Veloso ao som da qual muita gente já foi feliz
Recordo aquele acordo
Bem claro e assumido
Eu trepava um eucalipto
E tu tiravas o vestido
Podia procurar no dicionário e transcrever que promessa é o acto ou efeito de prometer, e que prometer é obrigar-se a fazer ou a dar, oferecer probabilidades ou esperanças de…
Mas não fiz nada disso, como bem se pode ver, é que para mim, as promessas são algo sagrado, algo que é para cumprir…
Há cerca de 2 meses, fiz uma promessa, uma promessa talvez irreflectida dada a dificuldade que estou a ter em cumpri-la, mas valeu bem a pena.
Em troca de uma medalha, prometi o impensável, prometi o veneno que alimenta o espírito e que acalma a alma nas noites de tempestade, prometi deixar de sobreviver e começar a viver, prometi, sim prometi!
O que nunca esperei, foi que dois dias depois da outra parte ter cumprido com o que se tinha comprometido, e no meio de uma confusão à escala mundial, que se lembrasse tão claramente da promessa, e num telefonema, me dissesse “Lembras-te? Prometeste!”. Pois prometi, e todas as minhas promessas são para cumprir. Como o mundo seria mais fácil se todos cumpríssemos as nossas promessas, se os políticos cumprissem as suas promessas, se as promessas não fossem simples palavras lançadas em vão para a atmosfera…
Mas eu cumpro, eu tenho palavra e assumo a minha parte do acordos… cá está o prometido… DEIXEI DE FUMAR… e como me está a custar… Obrigado Nelson pela alegria da medalha de ouro, e obrigado por me teres recordado que tinha uma promessa para cumprir…
Recordo aquele acordo
Bem claro e assumido
Eu trepava um eucalipto
E tu tiravas o vestido
Podia procurar no dicionário e transcrever que promessa é o acto ou efeito de prometer, e que prometer é obrigar-se a fazer ou a dar, oferecer probabilidades ou esperanças de…
Mas não fiz nada disso, como bem se pode ver, é que para mim, as promessas são algo sagrado, algo que é para cumprir…
Há cerca de 2 meses, fiz uma promessa, uma promessa talvez irreflectida dada a dificuldade que estou a ter em cumpri-la, mas valeu bem a pena.
Em troca de uma medalha, prometi o impensável, prometi o veneno que alimenta o espírito e que acalma a alma nas noites de tempestade, prometi deixar de sobreviver e começar a viver, prometi, sim prometi!
O que nunca esperei, foi que dois dias depois da outra parte ter cumprido com o que se tinha comprometido, e no meio de uma confusão à escala mundial, que se lembrasse tão claramente da promessa, e num telefonema, me dissesse “Lembras-te? Prometeste!”. Pois prometi, e todas as minhas promessas são para cumprir. Como o mundo seria mais fácil se todos cumpríssemos as nossas promessas, se os políticos cumprissem as suas promessas, se as promessas não fossem simples palavras lançadas em vão para a atmosfera…
Mas eu cumpro, eu tenho palavra e assumo a minha parte do acordos… cá está o prometido… DEIXEI DE FUMAR… e como me está a custar… Obrigado Nelson pela alegria da medalha de ouro, e obrigado por me teres recordado que tinha uma promessa para cumprir…
quarta-feira, 21 de maio de 2008
A menina que queria ser maçã
Quando perguntaram a Joaninha o que é que ela queria ser quando fosse grande (há sempre um dia em que um adulto nos faz essa pergunta), ela não hesitou:
- Quando for grande quero ser maçã!
Disse aquilo com tanta convicção que a mãe se assustou:
- Maçã?
A maior parte das crianças quer ser: a) astronauta b) médica/o c) corredor de automóveis d) futebolista e) cantor/a f) presidente. Há algumas respostas mais originais: «Quero ser solteiro», confessou o filho de uma amiga minha. Conheço uma menininha que foi ainda mais ambiciosa:
- Quando for grande quero ser feliz.
Mas maçã? Joaninha, meu amor, maçã porquê? A pequena encolheu os ombos: «são tão lindas». Passaram-se os anos e a mãe pensou que ela se tinha esquecido daquilo. Mas não. No dia em que entrou para a escola a professora fez a todos os meninos a mesma pergunta:
- Ora vamos lá a saber o que é que vocês querem ser quando forem grandes...
Astronauta. Piloto de Fórmula 1. Cantora. Futebolista. Barbie (há muitas meninas que querem ser a Barbie). Médica. Modelo. Actriz. E tu, Joaninha?
- Eu quero ser maçã!
Risos. Os outros meninos começaram a fazer troça dela:
- Maçã raineta! Maçã raineta!...
- Se a Joaninha pode ser uma maçã, eu quero ser um avião...
Ela nem fazia caso. Quando crescesse havia de ser uma maçã, sim, uma maçã verde, luminosa, tão perfumada como uma manhã de primavera.
Poucas vezes, porém, conseguimos cumprir os nossos sonhos. Joaninha transformou-se numa mulher bonita, estudou, e fez-se professora. Era uma boa professora. Só quem conseguisse olhar para dentro dela poderia saber que, bem lá no fundo do seu coração, a Joaninha sentia ainda aquela grande vontade de se tornar maçã. O tempo passou - o tempo, aliás, está sempre a passar, nós é que nem sempre damos pela sua passagem. O tempo passou, portanto, e Joaninha envelheceu. Não casara, não tinha filhos, envelheceu sozinha.
Foi numa tarde de Outono. As árvores tinham perdido as suas folhas. O sol, cansado, com aquela cor macia que tem o mel, desaparecia no horizonte. Joaninha estava a dormir, sentada numa cadeira de baloiço, na varanda da sua casa, quando apareceu um anjo e a levou. Ela não percebeu logo onde estava. Foi preciso que Deus lhe tocasse nos ombros com a ponta dos dedos:
- Acorda, minha filha - disse-lhe Deus -, já chegaste.
Joaninha abriu os olhos e viu o que já antes via com os olhos fechados: os anjos passeando num grande jardim, os peixes flutuando no ar, juntamente com os pássaros, e aquele velho de barbas brancas, ao seu lado, sorrindo como só Deus sabe sorrir.
- Meu Deus - perguntou-lhe - porque não me deixaste ser maçã?
- Ser maçã é difícil, Joaninha - disse-lhe Deus. - É preciso crescer muito para ser uma boa maçã. Tu cresceste. Agora, sim, serás maçã.
Alguns meses depois um menino descobriu no pomar da casa dos seus avós uma maçã de um brilho intenso. Cheirou-a: cheirava a manhãs lavadas, cheirava a primavera, era um cheiro que se colava aos dedos. O menino comeu a maçã e sentiu-se feliz. Naquela tarde disse à avó:
- Sabes, acho que quando for grande quero ser maçã!
By José Eduardo Agualusa
- Quando for grande quero ser maçã!
Disse aquilo com tanta convicção que a mãe se assustou:
- Maçã?
A maior parte das crianças quer ser: a) astronauta b) médica/o c) corredor de automóveis d) futebolista e) cantor/a f) presidente. Há algumas respostas mais originais: «Quero ser solteiro», confessou o filho de uma amiga minha. Conheço uma menininha que foi ainda mais ambiciosa:
- Quando for grande quero ser feliz.
Mas maçã? Joaninha, meu amor, maçã porquê? A pequena encolheu os ombos: «são tão lindas». Passaram-se os anos e a mãe pensou que ela se tinha esquecido daquilo. Mas não. No dia em que entrou para a escola a professora fez a todos os meninos a mesma pergunta:
- Ora vamos lá a saber o que é que vocês querem ser quando forem grandes...
Astronauta. Piloto de Fórmula 1. Cantora. Futebolista. Barbie (há muitas meninas que querem ser a Barbie). Médica. Modelo. Actriz. E tu, Joaninha?
- Eu quero ser maçã!
Risos. Os outros meninos começaram a fazer troça dela:
- Maçã raineta! Maçã raineta!...
- Se a Joaninha pode ser uma maçã, eu quero ser um avião...
Ela nem fazia caso. Quando crescesse havia de ser uma maçã, sim, uma maçã verde, luminosa, tão perfumada como uma manhã de primavera.
Poucas vezes, porém, conseguimos cumprir os nossos sonhos. Joaninha transformou-se numa mulher bonita, estudou, e fez-se professora. Era uma boa professora. Só quem conseguisse olhar para dentro dela poderia saber que, bem lá no fundo do seu coração, a Joaninha sentia ainda aquela grande vontade de se tornar maçã. O tempo passou - o tempo, aliás, está sempre a passar, nós é que nem sempre damos pela sua passagem. O tempo passou, portanto, e Joaninha envelheceu. Não casara, não tinha filhos, envelheceu sozinha.
Foi numa tarde de Outono. As árvores tinham perdido as suas folhas. O sol, cansado, com aquela cor macia que tem o mel, desaparecia no horizonte. Joaninha estava a dormir, sentada numa cadeira de baloiço, na varanda da sua casa, quando apareceu um anjo e a levou. Ela não percebeu logo onde estava. Foi preciso que Deus lhe tocasse nos ombros com a ponta dos dedos:
- Acorda, minha filha - disse-lhe Deus -, já chegaste.
Joaninha abriu os olhos e viu o que já antes via com os olhos fechados: os anjos passeando num grande jardim, os peixes flutuando no ar, juntamente com os pássaros, e aquele velho de barbas brancas, ao seu lado, sorrindo como só Deus sabe sorrir.
- Meu Deus - perguntou-lhe - porque não me deixaste ser maçã?
- Ser maçã é difícil, Joaninha - disse-lhe Deus. - É preciso crescer muito para ser uma boa maçã. Tu cresceste. Agora, sim, serás maçã.
Alguns meses depois um menino descobriu no pomar da casa dos seus avós uma maçã de um brilho intenso. Cheirou-a: cheirava a manhãs lavadas, cheirava a primavera, era um cheiro que se colava aos dedos. O menino comeu a maçã e sentiu-se feliz. Naquela tarde disse à avó:
- Sabes, acho que quando for grande quero ser maçã!
By José Eduardo Agualusa
domingo, 18 de maio de 2008
A solução de todos os problemas
A duplicação do cubo, um dos problemas clássicos da geometria grega, prendeu matemáticos durante séculos e séculos. O enunciado do problema, que consta no cabeçalho deste blog, levou a estudos avançados sobre formas geométricas para conseguir duplicar o cubo, usando apenas ferramentas matemáticas simples. Hoje em dia sabemos que a Duplicação do Cubo, tal como descrita, é um problema sem solução. E se os gregos soubessem disso? Teriam tentado?
Um dia cruzei-me com um grande matemático, especialista em resolução de problemas, e perante um problema que lhe apresentei sobre o qual estava a trabalhar, disse-me:
“-Achas que o problema tem solução?” – e eu, apanhado de surpresa, pois tinha empregado algumas horitas de trabalho nos rabisco que lhe apresentara e esperava uma linha orientadora para continuar, sei lá uma segunda opinião… encolhi os ombros e esperei, voltei a olhar para os rabiscos só para não o ter que enfrentar o seu poderoso olhar, mas no fundo, naquele momento todos os números, todas as letras, todas as fracções deixaram de fazer qualquer sentido. Ele … tirou-me os rabiscos das mãos, olhou-me com um sorriso fraternal e continuou…
“-Se achas que tem solução, é porque não é um bom problema, e deves escolher outro. Se achas que não tem solução, trabalha nele até descobrires algo de interessante”… e assim fiz!
Hoje sei que o problema não tem solução… mas valeu a pena o trabalho!
O importante não é chegar a um ponto, o importante é o caminho que se percorre para lá chegar… mesmo que o ponto não passe de um qualquer imaginário… no plano… no espaço… na vida!
By me
Um dia cruzei-me com um grande matemático, especialista em resolução de problemas, e perante um problema que lhe apresentei sobre o qual estava a trabalhar, disse-me:
“-Achas que o problema tem solução?” – e eu, apanhado de surpresa, pois tinha empregado algumas horitas de trabalho nos rabisco que lhe apresentara e esperava uma linha orientadora para continuar, sei lá uma segunda opinião… encolhi os ombros e esperei, voltei a olhar para os rabiscos só para não o ter que enfrentar o seu poderoso olhar, mas no fundo, naquele momento todos os números, todas as letras, todas as fracções deixaram de fazer qualquer sentido. Ele … tirou-me os rabiscos das mãos, olhou-me com um sorriso fraternal e continuou…
“-Se achas que tem solução, é porque não é um bom problema, e deves escolher outro. Se achas que não tem solução, trabalha nele até descobrires algo de interessante”… e assim fiz!
Hoje sei que o problema não tem solução… mas valeu a pena o trabalho!
O importante não é chegar a um ponto, o importante é o caminho que se percorre para lá chegar… mesmo que o ponto não passe de um qualquer imaginário… no plano… no espaço… na vida!
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