Quando perguntaram a Joaninha o que é que ela queria ser quando fosse grande (há sempre um dia em que um adulto nos faz essa pergunta), ela não hesitou:
- Quando for grande quero ser maçã!
Disse aquilo com tanta convicção que a mãe se assustou:
- Maçã?
A maior parte das crianças quer ser: a) astronauta b) médica/o c) corredor de automóveis d) futebolista e) cantor/a f) presidente. Há algumas respostas mais originais: «Quero ser solteiro», confessou o filho de uma amiga minha. Conheço uma menininha que foi ainda mais ambiciosa:
- Quando for grande quero ser feliz.
Mas maçã? Joaninha, meu amor, maçã porquê? A pequena encolheu os ombos: «são tão lindas». Passaram-se os anos e a mãe pensou que ela se tinha esquecido daquilo. Mas não. No dia em que entrou para a escola a professora fez a todos os meninos a mesma pergunta:
- Ora vamos lá a saber o que é que vocês querem ser quando forem grandes...
Astronauta. Piloto de Fórmula 1. Cantora. Futebolista. Barbie (há muitas meninas que querem ser a Barbie). Médica. Modelo. Actriz. E tu, Joaninha?
- Eu quero ser maçã!
Risos. Os outros meninos começaram a fazer troça dela:
- Maçã raineta! Maçã raineta!...
- Se a Joaninha pode ser uma maçã, eu quero ser um avião...
Ela nem fazia caso. Quando crescesse havia de ser uma maçã, sim, uma maçã verde, luminosa, tão perfumada como uma manhã de primavera.
Poucas vezes, porém, conseguimos cumprir os nossos sonhos. Joaninha transformou-se numa mulher bonita, estudou, e fez-se professora. Era uma boa professora. Só quem conseguisse olhar para dentro dela poderia saber que, bem lá no fundo do seu coração, a Joaninha sentia ainda aquela grande vontade de se tornar maçã. O tempo passou - o tempo, aliás, está sempre a passar, nós é que nem sempre damos pela sua passagem. O tempo passou, portanto, e Joaninha envelheceu. Não casara, não tinha filhos, envelheceu sozinha.
Foi numa tarde de Outono. As árvores tinham perdido as suas folhas. O sol, cansado, com aquela cor macia que tem o mel, desaparecia no horizonte. Joaninha estava a dormir, sentada numa cadeira de baloiço, na varanda da sua casa, quando apareceu um anjo e a levou. Ela não percebeu logo onde estava. Foi preciso que Deus lhe tocasse nos ombros com a ponta dos dedos:
- Acorda, minha filha - disse-lhe Deus -, já chegaste.
Joaninha abriu os olhos e viu o que já antes via com os olhos fechados: os anjos passeando num grande jardim, os peixes flutuando no ar, juntamente com os pássaros, e aquele velho de barbas brancas, ao seu lado, sorrindo como só Deus sabe sorrir.
- Meu Deus - perguntou-lhe - porque não me deixaste ser maçã?
- Ser maçã é difícil, Joaninha - disse-lhe Deus. - É preciso crescer muito para ser uma boa maçã. Tu cresceste. Agora, sim, serás maçã.
Alguns meses depois um menino descobriu no pomar da casa dos seus avós uma maçã de um brilho intenso. Cheirou-a: cheirava a manhãs lavadas, cheirava a primavera, era um cheiro que se colava aos dedos. O menino comeu a maçã e sentiu-se feliz. Naquela tarde disse à avó:
- Sabes, acho que quando for grande quero ser maçã!
By José Eduardo Agualusa
quarta-feira, 21 de maio de 2008
domingo, 18 de maio de 2008
A solução de todos os problemas
A duplicação do cubo, um dos problemas clássicos da geometria grega, prendeu matemáticos durante séculos e séculos. O enunciado do problema, que consta no cabeçalho deste blog, levou a estudos avançados sobre formas geométricas para conseguir duplicar o cubo, usando apenas ferramentas matemáticas simples. Hoje em dia sabemos que a Duplicação do Cubo, tal como descrita, é um problema sem solução. E se os gregos soubessem disso? Teriam tentado?
Um dia cruzei-me com um grande matemático, especialista em resolução de problemas, e perante um problema que lhe apresentei sobre o qual estava a trabalhar, disse-me:
“-Achas que o problema tem solução?” – e eu, apanhado de surpresa, pois tinha empregado algumas horitas de trabalho nos rabisco que lhe apresentara e esperava uma linha orientadora para continuar, sei lá uma segunda opinião… encolhi os ombros e esperei, voltei a olhar para os rabiscos só para não o ter que enfrentar o seu poderoso olhar, mas no fundo, naquele momento todos os números, todas as letras, todas as fracções deixaram de fazer qualquer sentido. Ele … tirou-me os rabiscos das mãos, olhou-me com um sorriso fraternal e continuou…
“-Se achas que tem solução, é porque não é um bom problema, e deves escolher outro. Se achas que não tem solução, trabalha nele até descobrires algo de interessante”… e assim fiz!
Hoje sei que o problema não tem solução… mas valeu a pena o trabalho!
O importante não é chegar a um ponto, o importante é o caminho que se percorre para lá chegar… mesmo que o ponto não passe de um qualquer imaginário… no plano… no espaço… na vida!
By me
Um dia cruzei-me com um grande matemático, especialista em resolução de problemas, e perante um problema que lhe apresentei sobre o qual estava a trabalhar, disse-me:
“-Achas que o problema tem solução?” – e eu, apanhado de surpresa, pois tinha empregado algumas horitas de trabalho nos rabisco que lhe apresentara e esperava uma linha orientadora para continuar, sei lá uma segunda opinião… encolhi os ombros e esperei, voltei a olhar para os rabiscos só para não o ter que enfrentar o seu poderoso olhar, mas no fundo, naquele momento todos os números, todas as letras, todas as fracções deixaram de fazer qualquer sentido. Ele … tirou-me os rabiscos das mãos, olhou-me com um sorriso fraternal e continuou…
“-Se achas que tem solução, é porque não é um bom problema, e deves escolher outro. Se achas que não tem solução, trabalha nele até descobrires algo de interessante”… e assim fiz!
Hoje sei que o problema não tem solução… mas valeu a pena o trabalho!
O importante não é chegar a um ponto, o importante é o caminho que se percorre para lá chegar… mesmo que o ponto não passe de um qualquer imaginário… no plano… no espaço… na vida!
By me
sábado, 17 de maio de 2008
Just to listen
Hey There Delilah
Hey there Delilah
What's it like in New York City?
I'm a thousand miles away
But girl tonight you look so pretty
Yes, you do
Times Square can't shine as bright as you
I swear it's true
Hey there Delilah
Don't you worry about the distance
I'm right there if you get lonely
Give this song another listen
Close your eyes
Listen to my voice it's my disguise
I'm by your side
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
What you do to me
Hey there Delilah
I know times are getting hard
But just believe me girl
Someday I'll pay the bills with this guitar
We'll have it good
We'll have the life we knew we would
My word is good
Hey there Delilah
I've got so much left to say
If every simple song I wrote to you
Would take your breath away
I'd write it all
Even more in love with me you'd fall
We'd have it all
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
A thousand miles seems pretty far
But they've got planes and trains and cars
I'd walk to you if I had no other way
Our friends would all make fun of us
And we'll just laugh along because we know
That no one of them have felt this way
Delilah I can promise you
That by the time that we get through
The world will never ever be the same
And you're the blame
Hey there Delilah
You be good and don't you miss me
Two more years and you'll be done with school
And I'll be making history like I do
You know it's all because of you
We can do whatever we want to
Hey there Delilah heres to you
This one's for you
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
What you do to me
Oh Oh Oh
Oh Oh Oh
By Plain White T's
Hey there Delilah
What's it like in New York City?
I'm a thousand miles away
But girl tonight you look so pretty
Yes, you do
Times Square can't shine as bright as you
I swear it's true
Hey there Delilah
Don't you worry about the distance
I'm right there if you get lonely
Give this song another listen
Close your eyes
Listen to my voice it's my disguise
I'm by your side
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
What you do to me
Hey there Delilah
I know times are getting hard
But just believe me girl
Someday I'll pay the bills with this guitar
We'll have it good
We'll have the life we knew we would
My word is good
Hey there Delilah
I've got so much left to say
If every simple song I wrote to you
Would take your breath away
I'd write it all
Even more in love with me you'd fall
We'd have it all
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
A thousand miles seems pretty far
But they've got planes and trains and cars
I'd walk to you if I had no other way
Our friends would all make fun of us
And we'll just laugh along because we know
That no one of them have felt this way
Delilah I can promise you
That by the time that we get through
The world will never ever be the same
And you're the blame
Hey there Delilah
You be good and don't you miss me
Two more years and you'll be done with school
And I'll be making history like I do
You know it's all because of you
We can do whatever we want to
Hey there Delilah heres to you
This one's for you
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
What you do to me
Oh Oh Oh
Oh Oh Oh
By Plain White T's
quinta-feira, 15 de maio de 2008
O mundo continua a girar…
Infelizmente, e ao contrario do prometido num post anterior, não tenho tido muito tempo para escrever no Blog, tempo para duplicar o cubo, não é que não me tenha apetecido fazer grandes dissertações sobre a visita do Presidente da República à Madeira, sobre o Apito Final, sobre o aumento do preço dos combustíveis ou sobre os cigarros (não sei se com aditivo) que o nosso Primeiro queimou a caminho de Caracas num voo comercial da TAP.
Isto já para não falar do tema quente do boicote aos Jogos Olímpicos e da independência do Tibete.
Mas de que vale escrever sobre isso tudo, para aliviar a consciência? Para mostrar que tenho opinião? Acho que só o Borba e o Béu é que lêem a Duplicação do Cubo, e penso que na esperança de eu revelar aqui algum estudo inovador sobre matemáticas avançadas… eu que bem gostaria, mas a única matemática que esta minha vida de caixeiro-viajante e de papel higiénico me tem permitido fazer é a matemática do quotidiano, de cálculos avançados de tempo para chegar a horas a um determinado local (que como sabem raramente consigo, para não dizer nunca, mas isso deve-se a erros de cálculo desprezíveis), de matrizes com o número de carros que me vão empatar até à Portela, derivadas com as horas que deveria ter dormido e que não dormi e de integrais do tempo que passo longe daqueles de quem mais gosto…
Com isto tudo o mundo continua a girar, o tempo continua a passar, e a menos que um dos postulados da teoria do “Ti Alberto” seja refutado por qualquer físico com necessidade de afirmação, não há maneira de viajar no tempo, as portas vão se fechando, com mais ou menos medos, há momentos que se perdem, há sorrisos que se vão enevoando, há histórias que deixam de ser contadas, há telefones que se vão esquecendo, há vidas que se deixam de cruzar…
Para os dois grandes amigos que lêem a Duplicação do Cubo, este é um ano de mudança, um deles vai sentir o que é fazer brotar uma flor, o outro vai finalmente, e em ano de Europeu de Futebol e de Jogos Olímpicos, deixar o grupo dos poucos resistentes ao matrimónio… e já são tão poucos.
Acho que estamos a envelhecer… e essa é uma situação que me cria sentimentos antagónicos. Por um lado a ideia de estar a envelhecer deixa-me nostálgico, por outro lado dá-me mais tranquilidade, dá mais credibilidade às minhas ideias, que como vocês tão bem sabem, nem sempre são as mais ortodoxas. Sinto que aos poucos começo a deixar de fazer parte daquela pequena minoria… dos loucos, dos irreverentes, dos “gangsters”… dos que constroem grandes democracias (lembraste desta Béu?!).
E é hora de terminar este post, que amanhã o dia é longo, e que os cálculos mentais já me dizem que estou a dever horas à cama, e de certeza que ela mais tarde me vai cobrar com juros, e ao ritmo que o preço do barril de Brent cresce, a Euribor não tarda a aumentar, e cada segundo agora paga-se caro mais tarde… é uma forma estúpida de terminar, mas foi o que se arranjou…
Até breve!
Isto já para não falar do tema quente do boicote aos Jogos Olímpicos e da independência do Tibete.
Mas de que vale escrever sobre isso tudo, para aliviar a consciência? Para mostrar que tenho opinião? Acho que só o Borba e o Béu é que lêem a Duplicação do Cubo, e penso que na esperança de eu revelar aqui algum estudo inovador sobre matemáticas avançadas… eu que bem gostaria, mas a única matemática que esta minha vida de caixeiro-viajante e de papel higiénico me tem permitido fazer é a matemática do quotidiano, de cálculos avançados de tempo para chegar a horas a um determinado local (que como sabem raramente consigo, para não dizer nunca, mas isso deve-se a erros de cálculo desprezíveis), de matrizes com o número de carros que me vão empatar até à Portela, derivadas com as horas que deveria ter dormido e que não dormi e de integrais do tempo que passo longe daqueles de quem mais gosto…
Com isto tudo o mundo continua a girar, o tempo continua a passar, e a menos que um dos postulados da teoria do “Ti Alberto” seja refutado por qualquer físico com necessidade de afirmação, não há maneira de viajar no tempo, as portas vão se fechando, com mais ou menos medos, há momentos que se perdem, há sorrisos que se vão enevoando, há histórias que deixam de ser contadas, há telefones que se vão esquecendo, há vidas que se deixam de cruzar…
Para os dois grandes amigos que lêem a Duplicação do Cubo, este é um ano de mudança, um deles vai sentir o que é fazer brotar uma flor, o outro vai finalmente, e em ano de Europeu de Futebol e de Jogos Olímpicos, deixar o grupo dos poucos resistentes ao matrimónio… e já são tão poucos.
Acho que estamos a envelhecer… e essa é uma situação que me cria sentimentos antagónicos. Por um lado a ideia de estar a envelhecer deixa-me nostálgico, por outro lado dá-me mais tranquilidade, dá mais credibilidade às minhas ideias, que como vocês tão bem sabem, nem sempre são as mais ortodoxas. Sinto que aos poucos começo a deixar de fazer parte daquela pequena minoria… dos loucos, dos irreverentes, dos “gangsters”… dos que constroem grandes democracias (lembraste desta Béu?!).
E é hora de terminar este post, que amanhã o dia é longo, e que os cálculos mentais já me dizem que estou a dever horas à cama, e de certeza que ela mais tarde me vai cobrar com juros, e ao ritmo que o preço do barril de Brent cresce, a Euribor não tarda a aumentar, e cada segundo agora paga-se caro mais tarde… é uma forma estúpida de terminar, mas foi o que se arranjou…
Até breve!
Subscrever:
Mensagens (Atom)