Infelizmente, e ao contrario do prometido num post anterior, não tenho tido muito tempo para escrever no Blog, tempo para duplicar o cubo, não é que não me tenha apetecido fazer grandes dissertações sobre a visita do Presidente da República à Madeira, sobre o Apito Final, sobre o aumento do preço dos combustíveis ou sobre os cigarros (não sei se com aditivo) que o nosso Primeiro queimou a caminho de Caracas num voo comercial da TAP.
Isto já para não falar do tema quente do boicote aos Jogos Olímpicos e da independência do Tibete.
Mas de que vale escrever sobre isso tudo, para aliviar a consciência? Para mostrar que tenho opinião? Acho que só o Borba e o Béu é que lêem a Duplicação do Cubo, e penso que na esperança de eu revelar aqui algum estudo inovador sobre matemáticas avançadas… eu que bem gostaria, mas a única matemática que esta minha vida de caixeiro-viajante e de papel higiénico me tem permitido fazer é a matemática do quotidiano, de cálculos avançados de tempo para chegar a horas a um determinado local (que como sabem raramente consigo, para não dizer nunca, mas isso deve-se a erros de cálculo desprezíveis), de matrizes com o número de carros que me vão empatar até à Portela, derivadas com as horas que deveria ter dormido e que não dormi e de integrais do tempo que passo longe daqueles de quem mais gosto…
Com isto tudo o mundo continua a girar, o tempo continua a passar, e a menos que um dos postulados da teoria do “Ti Alberto” seja refutado por qualquer físico com necessidade de afirmação, não há maneira de viajar no tempo, as portas vão se fechando, com mais ou menos medos, há momentos que se perdem, há sorrisos que se vão enevoando, há histórias que deixam de ser contadas, há telefones que se vão esquecendo, há vidas que se deixam de cruzar…
Para os dois grandes amigos que lêem a Duplicação do Cubo, este é um ano de mudança, um deles vai sentir o que é fazer brotar uma flor, o outro vai finalmente, e em ano de Europeu de Futebol e de Jogos Olímpicos, deixar o grupo dos poucos resistentes ao matrimónio… e já são tão poucos.
Acho que estamos a envelhecer… e essa é uma situação que me cria sentimentos antagónicos. Por um lado a ideia de estar a envelhecer deixa-me nostálgico, por outro lado dá-me mais tranquilidade, dá mais credibilidade às minhas ideias, que como vocês tão bem sabem, nem sempre são as mais ortodoxas. Sinto que aos poucos começo a deixar de fazer parte daquela pequena minoria… dos loucos, dos irreverentes, dos “gangsters”… dos que constroem grandes democracias (lembraste desta Béu?!).
E é hora de terminar este post, que amanhã o dia é longo, e que os cálculos mentais já me dizem que estou a dever horas à cama, e de certeza que ela mais tarde me vai cobrar com juros, e ao ritmo que o preço do barril de Brent cresce, a Euribor não tarda a aumentar, e cada segundo agora paga-se caro mais tarde… é uma forma estúpida de terminar, mas foi o que se arranjou…
Até breve!