Eu gostava de ser como o vento, gostava de percorrer quilómetros e quilómetros de praias a revolver as areias adormecidas, gostava de dançar com as imponentes árvores da floresta, gostava de empurrar as nuvens, de abraçar as portadas das janelas e entrar pelas casas fora, de refrescar almas… gostava de ser a brisa de uma manhã de primavera, suave, carinhosa, delicada… gostava de ser a manhã, enérgica, movimentada, viva… eu gostava de ser o mar, de enrolar o meu corpo na areia, de bater contra as rochas nas noites de revolta, e na manhã seguinte voltar a acalmar, e voltar a enrolar-me na areia da praia… eu gostava de ser a chuva que cai nos telhados numa tarde de inverno fazendo ecoar uma suave melodia, uma melodia que ouvimos com gosto, que desejamos que se repita vezes sem conta e que nos faz pensar … mas não sou… afinal o que é que eu sou mesmo?
Sinceramente… não sei! Tenho dificuldades em compreender o significado da vida, tenho dificuldade em compreender a razão da nossa existência, a razão da minha existência! Será que há uma razão? Tem que existir, só pode existir! Mas qual será ela?
Eu só sei que sou mais um ser humano, com cabeça, troco e membros… e com sentimentos… sentimentos que não posso nem consigo controlar! Sentimentos que movem a nossa vida sem qualquer controlo aparente… e o saldo? O saldo é como o futuro… só a Deus pertence…